Cisteamina: a nova e poderosa arma contra melasma - Dra Renata Sitonio

Congressos apresentam Cisteamina para tratar melasmas.

Cisteamina: a mais nova e poderosa arma para tratar melasma

Nos dois últimos meses (janeiro de fevereiro de 2019), a comunidade mundial de dermatologia se reuniu em dois importantes eventos: o IMCAS World Congress, em Paris, na França; e o Annual Meeting, da Academia Americana de Dermatologia, em Washington, nos Estados Unidos. Tive o prazer de participar desses dois grandes congressos para trazer ao Brasil as principais novidades que envolvem o campo da dermatologia.

Dentre os temas abordados, a maior novidade ficou por conta de novos ativos para o tratamento do melasma – caracterizado pelo surgimento de manchas escuras de cor amarronzada na pele, principalmente da face, que surgem na idade adulta em homens e mulheres.

O melasma é mais frequente em mulheres, em razão das alterações hormonais, como a exposição aos anticoncepcionais e também da gravidez. No entanto, o principal fator causal é mesmo a exposição aos raios solares.

Além disso, a genética tem uma grande influência no surgimento desse problema. Tanto em homens quanto em mulheres, o melasma pode surgir após tomar muito sol como uma ida à praia sem proteção solar adequada, pois isso vai ativar os melanócitos (células que produzem pigmento).

No entanto, se a pessoa não tiver essa tendência genética, não vai apresentar melasma.

O tratamento do melasma é um grande desafio, já que é uma doença geneticamente determinada e que não tem cura definitiva. No entanto, com a proteção correta contra os raios solares, o uso de cremes clareadores regularmente, inclusive no verão (quando todo mundo acha que deve suspender o uso dos cremes),e até o uso de medicamentos por via oral, as manchas podem ser muito bem controladas e praticamente desaparecerem. A vitamina C tópica também é uma aliada.

Isso depende de muita disciplina do paciente e da correta orientação do médico dermatologista.

A exposição solar e também a exposição à luz visível, aquela do celular, das lâmpadas, da televisão, etc, deve ser evitada ou protegida. Por isso, o uso de filtro solares é determinante do sucesso do tratamento.

A quantidade de protetor que se usa é muito importante.

Recomenda-se que se passar 2 camadas de filtro solar pelo menos 3 vezes ao dia.

Dê preferência aos com cor, pois é o pigmento (óxido de ferro) que protege contra as luzes.

Até agora, o creme mais utilizado e com maior eficácia para o clareamento da pele foi o Composto de Tretinoína (ácido retinóico), Hidroquinona (um potente clareador) e Acetonido Fluocinolona (corticóide). a famosa fórmula tríplice.

Apesar da relativa segurança dessa formulação, sabemos que todo tratamento médico tem dois lados e não são incomuns reações indesejadas como irritação da pele, alergia à hidroquinona.

Outros fatores que preocupam dermatologistas em relação à fórmula tríplice são a impossibilidade de uso desses compostos diariamente a longo prazo, devido a diversos outros efeitos colaterais, como o aumento da sensibilidade ao sol, desenvolvimento de pequenas manchas brancas na face (leucodermia em confete), surgimento de lesões escuras como a ocronose pela hidroquinona e o possível, apesar de muito raro desenvolvimento de câncer de pele.

Como alternativa para esses casos em que não se pode usar a fórmula tríplice como durante a gravidez ou naqueles casos que chamamos melasma refratário em que já se tentou de tudo e não melhora com nada ou ainda em pessoas que não toleram uso de ácidos , a grande vedete desses dois últimos congressos internacionais foi uma substância chamada cisteamina.

A Cisteamina é comercializada na Europa e nos EUA com o nome de Cysteamine® creme. Trata-se de um composto naturalmente presente no organismo humano que, segundo estudos, reduz a pigmentação da pele em 77%, algo comparado à formula tríplice acima descrita.

Conforme apresentado nos eventos, a substância se demonstrou atóxica – que é não carcinogênica e que não aumenta a sensibilidade ao sol. Era de conhecimento comum da comunidade dermatológica, desde a década de 1960, que a cisteamina possuía propriedades clareadoras, no entanto, por ser muito instável, oxidando rapidamente ao se expor ao ar e também por seu forte odor, nunca chegou a ser utilizada como creme antes.

No entanto, agora pesquisadores conseguiram recentemente estabilizar o produto e reduzir seu odor. Também através desses estudos, foi possível compará-la com a fórmula tríplice (padrão ouro para o tratamento das manchas) e comprovar seus efeitos clareadores.

O tratamento demostra ser de fácil uso, podendo ser utilizado 15 minutos ao dia, durante 3 meses. Após os 15 minutos de aplicação, é necessário ser enxaguado. Depois desse período de três meses, ele deve ser aplicado apenas 2 vezes por semana para manutenção. No entanto, a cisteamina ainda não chegou ao Brasil, a não ser em farmácias de manipulação.

É muito importante que você procure um dermatologista para lhe orientar quando ao seu tratamento. Só usar o creme não vai resolver. O mais importante no sucesso do clareamento é ter orientações precisas, visitas regulares ao consultório dermatológico, pelo menos a cada 3 meses e principalmente, não relaxar com o uso do filtro solar.

Mesmo que se trabalhe à noite, é importante que se use um filtro com cor ou mesmo uma base de maquiagem para a proteção contra a luz de ambientes fechados.

Instagram: @dicadedermato

Renata Sitonio é Médica Dermatologista chefe da Clínica Sitonio, em São Paulo. Graduada pela Universidade Federal da Paraíba, Título de Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Especialista em Dermatologia no Conselho Federal de Medicina e Associação Médica Brasileira, Membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD – e regional de São Paulo e Coautora do livro IPCA sobre técnicas cirúrgicas com agulhas. Mais informações: www.clinicasitonio.com.br.

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